sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Avaliações, os dias que mais custam

Das coisas que menos gosto de fazer é avaliar = dar notas escolares.

Estes dias de reuniões de avaliação são dos mais difíceis dias da minha profissão. Além de cansativos, morosos, burocráticos, são os dias em que deixamos de ver os nossos alunos (os seres vivos únicos e especiais, as crianças, os sorrisos, as enormes ou as mais pequenas evoluções) para apenas os vermos como números/expressões de avaliação. 

E frequentemente me pergunto "Para quê?"

Avaliar é bom. É algo positivo que fazemos todos os dias, provavelmente, sempre que tomamos qualquer decisão e avaliamos as consequências das mesmas. E por vezes temos ainda um feedback dos outros que connosco convivem, que nos ajudam a orientarmo-nos e a ajustarmos o nosso caminho.

Mas ninguém de fora com um jugo "superior" (que sabe pouco da nossa vida, e muito menos sabe tudo sobre as dificuldades que passamos todos os dias) deveria vir escrever num qualquer relatório ou em fichas de avaliação bitrimestrais "Suficiente". "Muito Bom". "Insuficiente" nestas aprendizagens da tua vida, de cada vez que tomamos essas decisões. Tipo, já não basta a dificuldade de passarmos por elas e nem sempre nos sentirmos preparados ou a saber bem o que fazer, ainda temos que levar com estes rótulos na cara.

Eu entendo a visão de que as mesmas são uma orientação indicadora de se estás a ir por um bom caminho ou se precisas de trabalhar mais para acompanhares o ritmo que te é imposto (na escola, ritmo imposto por um currículo igual para todos como se todos fossem iguais...). Para algumas pessoas são ainda um "prémio". Mas será mesmo necessário ser assim?

Como professora, dou várias indicações e possibilidades de descoberta e evolução aos meus alunos, TODOS OS DIAS e VÁRIAS VEZES AO DIA. Acredito que praticamente todos os professores do 1o ciclo o fazem, dos outros ciclos provavelmente também, e só não o farão mais e melhor devido à quantidade BUROCRÁTICA astronómica que nos tira energia e força. 

Todos os dias e a todos os momentos eles sabem o que estão a aprender, lhes são feitas perguntas variadas sobre os temas, são feitos vários exercícios diferentes e (com sorte), motivadores da aprendizagem, são feitas revisões... E crianças que sabem o caminho que estão a fazer, que sabem o esforço que estão a aplicar nesse caminho, não deveriam ser comparadas seja com o que for. Porque sejamos sinceros, ao avaliarmos com rótulos, estamos sempre a comparar os nossos alunos a um aluno imaginário perfeito que aprende tudo o que ensinamos exatamente no momento em que ensinamos (como se todas as crianças estivessem despertas de forma igual para todos os temas de aprendizagem pré-definidos por qualquer Ministério) e aplica esses conhecimentos com rigor em fichas de avaliação e outros trabalhos (se tiver a sorte de ser avaliado por outros trabalhos) com absoluta perfeição. Excepto crianças sobredotadas ou quase, quem é esse aluno? 

Então, aí entra também a subjetividade do professor. Porque nós vemos os percursos deles. Nós vemos a evolução, o ritmo, as condicionantes e as coisas a favor. E elas são tantas e tão distintas que NENHUMA NOTA que a gente dê é verdadeiramente justa. 

Quem somos nós para comparar o filho da mãe solteira que sozinha se esforça já tanto para pôr o jantar na mesa? Da empregada fabril que chega a casa cansada do som das máquinas das 8 horas de trabalho e que só quer silêncio? Da mãe com vários trabalhos sazonais só para trazer dinheiro para casa? Do pai que, tendo sido ele próprio maltratado na infância, nem sempre consegue fazer melhor pelo filho mas está a esforçar-se? Da mãe com algum problema de saúde, ou que trata de alguém com problemas de saúde, ou até da própria criança com problemas de saúde? Da família com posses e regalias mas que esconde problemas emocionais enormes? Ou até da própria família com posses e regalias e sem problema nenhum. 

Como podemos nós comparar? Como podemos nós classificar? Como podemos colocar todas estas crianças num pote e classificá-las justamente? A resposta é: não podemos. Por muita noção que possamos ter duma ou outra situação familiar, na maioria das vezes nem sequer sonhamos ou imaginamos o que se passa realmente. 

Por isso é que, para mim, a escola deveria ser um lugar bonito, feliz e seguro para as crianças aprenderem, estarem e acima de tudo, serem felizes nela. 

A escola deveria responder mais aos verdadeiros desejos e ímpetos de aprendizagem destas crianças, permitir a descoberta constante, com professores a orientar e a ajudar a manter o foco. Uma escola-museu, uma escola-oficina, uma escola-casa. Um lugar onde eles possam ser felizes.

E que avaliação tivesse apenas o papel que a mesma tem na vida: uma orientação para nos ajudar a delinear melhores caminhos, a trabalhar mais afincadamente nos nossos projetos, a elevar a nossa auto-estima e a nossa alma...

Porque sejamos sinceros: ao fim do 1o.ciclo, quantas crianças ainda têm aquele brilho nos olhos? Aquele verdadeiro amor próprio que as caraterizava nos primeiros meses do 1o ano (antes de levaram com a "bofetada" de conteúdos)? Quantas crianças sabem realmente alguma coisa que vá de encontro com os seus reais interesses? E o que é que isso, mesmo isso, lhes interessa, se vão ter de levar com um "Suficiente", "Muito Bom" ou "Insuficiente" por causa disso? Será que vale sequer a pena tentar?

Sabemos que muitas crianças se "perdem" pelo caminho exatamente por causa desta comparação constante, que não respeita os seus ritmos pessoais e tantas vezes as suas verdadeiras capacidades (que normalmente estarão fora da oferta educativa que os currículos escolares podem ter). E ainda impera a ideia de que todos eles têm de ser bons ou muito bons a tudo, ou não estão a aprender as competências necessárias para seguir este caminho escolar pesado, triste e cheio de conhecimentos inúteis que nunca mais serão usados na vida.

Repare-se que eu não sou contra o conhecimento. Saber não ocupa lugar e as crianças respeitadas realmente adoram aprender, sempre. Crianças respeitadas são ávidas de conhecimento, querem mais e mais, quando se vai de encontro com os seus interesses. Mas impor-lhes conhecimentos mastigados e vomitados por um professor, definidos anteriormente por um ou uns quantos srs. doutores numa secretária e por uma ordem pré-definida para o tal aluno imaginário perfeito, não deveria ser o caminho a continuar a seguir. Já se vê melhorias com as medidas tomadas pelo actual Ministério da Educação. Mas tem de se definir uma outra forma de avaliação, pôr maior peso nas aprendigens do dia-a-dia, e parar de valorizar tantos os testes, exames, etc (por mim até poderiam desaparecer). 

Mas, como lidar com as ansiedades dos pais? Cada vez percebo mais que as avaliações existem como existem por causa desta necessidade dos pais de saber que notas têm os filhos. Eu entendo. Mas não seria melhor, por exemplo, libertar os professores de tanta burocracia e dar-lhes tempo para atender e dar um feedback mais contínuo aos pais, sem ser necessário estar sempre a pressionar as crianças?

Por causa dos adultos, mais uma vez, são as crianças que sofrem desnecessariamente. Levam com rótulos que atacam a sua auto-estima numa altura em que as aprendizagens que têm de fazer são difíceis já por si, destroem a sua vontade natural de aprender, os enche de ansiedade em idades em que deveriam ser felizes para se tornarem adultos calmos, resilientes, gentis...

Então, a meu ver, a solução seria por aí. Libertava-se os professores da burocracia e permitia-se tempo para um maior diálogo escola-família. Uma acompanhamento mais tranquilo e pessoal entre todos. Feedbacks mais frequentes que permitem respostas mais atempadas e ágeis. 

Mas claro que tudo deveria passar por um currículo mais aberto e por turmas mais reduzidas, exigências pedidas pelos professores à tutela desde que me lembro de ser professora.

Trabalho numa escola de aldeia, com poucos alunos, e acumulando anos de escolaridade na mesma turma. Mas vejo aqui muito claro que a relação escola-família é muito mais próxima e fácil, mesmo com a burocracia. Só não é melhor por causa desse excesso de papéis. Se fosse assim em todo o país, estou certa de que estes rótulos estúpidos deixariam de precisar de existir.

Claro que também teria de se fazer um trabalho com as famílias para ajudar a entender a todos o que é o mais importante. O nosso país ainda baseia a sua ideia de um bom percurso escolar como aquele em que as crianças têm de sofrer, repetir muito até aprender, muitos tpc, muitas fichas e ainda muito trabalho nos manuais... Afinal, no tempo de Salazar até se batia com as cabeças dos miúdos no quadro a ver se a coisa entrava... mas por todo o mundo se prova de que isso claramente não é preciso. Deixou de se bater nos miúdos e, surpreendentemente, eles não deixaram de aprender. Por isso, se se deixar finalmente de lado o método tradicional de aprendizagem que tem mais de 300 anos e se se abraçar o séc. XXI em que nos encontramos, com aprendizagens mais efetivas baseadas em estudos científicos, neurociências, materiais manipuláveis, ambientes preparados fisicamente e tecnologicamente e se se seguir os interesses das crianças, supreendam-se: as crianças vão continuar a aprender, mas no seu tempo histórico. Para o seu futuro e não para o nosso passado. 

Não é deixar as crianças fazerem o que querem. Não é a máxima que se ouve por aí "deixar as crianças serem crianças". É deixar as crianças serem os adultos de amanhã, donos do seu caminho e do seu futuro, num ambiente que favorece quase automaticamente a aprendizagem. Orientando-os, mas com a humildade de ver quem eles são e não com o orgulho de que tudo sabemos. Porque não sabemos.

Eu sei, tantos me dirão que são ideias utópicas. Mas, na verdade, nunca estivemos tão próximos. Em muitas escolas já se observa e comprova estas teorias, a ciência apoia-as e as crianças que dessas escolas saem tornam-se adultos mais conscientes, com maior capacidade cooperativa, maior aceitação da diversidade, com total autonomia no seu trabalho e capacidade critativa e construtiva, auto-estimas saudáveis e capacidade de conexão em rede como ninguém. Em oposição aos alunos que saem do sistema actual desmotivados, sem esperança, auto-estima baixa e um bolso cheio de conhecimentos antiquados que pouco os ajudarão realmente no mercado de trabalho (e esta última observa-se mesmo que tenham boas notas).

Essas escolas são as alternativas: Montessori, Waldorf, Reggio Emília, Inteligências Múltiplas, Inteligência Emocional, Escola da Ponte, Comunidades Educativas... Todas elas provam o mesmo: seguir os seus interesses é a diferença que faz a diferença.  

Por isso, rótulos para quê? Avaliações rotulativas para quê?

Sim, adivinharam: servem apenas para servir os adultos, mas não as crianças.

Até breve.





quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Que tipo de letra usar? - Reflexão + Atualização da Série Rosa

 "O meu filho não se interessou por letras." - disse eu há dias, crente que deveria ter falhado em alguma coisa que nem eu sabia bem o quê.

Pois bem, ao fim destes tempos sem fazer atividades com ele e, por isso, mais tempo para permitir que o Universo fizesse o seu trabalho e me mandasse, ao longo dos dias, sinais que me ajudassem a compreender que caminho seguir, percebi.

Estas coisas acontecem-me muito. Mas só o tempo e a idade me mostraram que às vezes temos mesmo de esperar para que as respostas surjam, e devemos estar atentos a elas quando acontecem. Podem vir num conflito, na voz duma desconhecida, na voz duma colega, mas na maioria das vezes vem da criança, claro! 

Ele sempre se interessou por livros, mesmo nestes tempos em que "só queria brincar". Pedia para ler os 3 livros diários do antes de dormir, e pedia para usar o dedo na leitura de algumas palavras e dizê-las muito devagar (sons). O livro que me fez o primeiro plim foi "O coala que foi capaz". Todas as noites: ele pedia para fazer esse movimento nas palavras que se encontram escritas em maiúscula de imprensa - só essas.

Entretanto, numa ida à escola, apercebi-me que ele não tinha vontade de escrever o nome. Achei aquilo estranho. A educadora informou: ele não faz aqui aquilo que faz em casa. Não percebi o que queria aquilo dizer, porque ele em casa nunca escreveu o nome dele. Mas mais um ou dois acontecimentos fizeram-me entender que, embora ela possivelmente mo tenha dito com um sentido, o sentido que eu tinha de tirar dessas palavras seria outro completamente diferente (ou não).

Entretanto, uma mãe de 4 filhos no Facebook, que agradece o material que criei da série rosa, mas que usa as letras maiúsculas de imprensa porque sempre seguiu o trabalho da educadora dos filhos, que usa maiúscula de imprensa... Bem, provavelmente já estão a chegar à mesma conclusão que eu.

E o plim final chegou na voz da minha colega M., ao contar-me a experiência da sua filhota mais velha, que entrou no 1o ciclo a ler maiúsculas de imprensa e que viu todo o seu caminho escolar grandemente facilitado por isso - e que ninguém a ensinou a ler.

Então, onde foi que eu errei?

Desde sempre me apercebi que aqui, onde eu moro, uma pequena aldeia do Alentejo, as crianças crescem praticamente sem contacto com letras. Números ainda vão vendo, nos sobreiros, sobretudo. Mas letras... Há um café ou outro com letreiro, há as placas da localidade e das próximas, e é tudo. Nos nossos passeios diários vai com sorte se passarmos pelo letreiro dum café. 

A grande fonte devem ser os livros, e talvez um outro filme com legendas na TV - que vão sendo cada vez menos para as crianças, que encontram hoje todos os desenhos animados dobrados.

Mas aqui a Biblioteca mais próxima está a cerca de 50km, e as famílias nem sempre conseguem comprar os livros que gostariam. Bem, mas este facto não se aplica ao nosso caso, por isso vou considerá-lo um factor não essencial para nós.

Entretanto, no início de março, fiz formação em Escrita e Leitura em Montessori, e convenci-me, mais uma vez, que o caminho estava em continuar a providenciar letra manuscrita ao meu filho - desde que eu desse o exemplo, escrevendo muito à sua frente, e fosse fazendo os jogos de sons e apresentação das letras, tudo correria bem.


Não fossem dois fatores fundamentais que por vezes nos esquecemos tanto:

- o Ambiente em que eles se inserem grande parte do dia;

- o tempo que temos, como família, disponível para esse tipo de trabalho.


Ou seja, idealmente, e ainda acredito nisso, trabalhar com letra manuscrita seria o ideal - para quê aprender outra forma de escrita, se aos 6 anos lhe vai ser exigido ser capaz de a escrever? O tempo joga a favor da criança mas - conclusão disto tudo - desde que o processo casa-escola seja feito através do método Montessori de Escrita e Leitura.

No entanto, ele passa a grande parte do seu dia no Jardim de Infância da nossa escola. E lá todo o material está em maiúsculas de imprensa.

E em casa tem a mana com quem brincar, chega cansado da escola e se fizer uma atividade estruturada por dia já é muito (e quando acontece porque, lá está, ele quer brincar e descansar). 

Então, veio esta época natalícia e decidi ganhar coragem para voltar a apresentar-lhe letras, desta vez as do seu nome e da irmã em maiúscula de imprensa. E ele rejubilou por conseguir 1.fazer e 2.perceber. Porque todos os dias ele contacta com o seu nome na escola em maiúsculas de imprensa. Todos os dias ele contacta com o nome dos colegas em maiúsculas de imprensa. 

Estar a apresentar-lhe dois tipos de linguagem gráfica estava a ser demais para ele, desmotivando-o. Sim, eu sei, o conselho de todos os montessorianos é o de usar o tipo de letra que é usado na escola, mas como estivemos em confinamento eu convenci-me que, nesse tempo, poderíamos fazer diferente, e até tivemos momentos bonitos em volta da cursiva.  (De referir que em tempos, quando lhe coloquei diferentes tipos de letras e lhe perguntei qual ele gostaria de aprender, ele assinalou a cursiva manuscrita. É sem dúvida um tipo de letra bonito 🙂🙂🙂 )

Mas voltando à vida normal, percebi que não vale a pena lutar contra a corrente. Na verdade, pode ser muito improdutivo, quando se trata de crianças pequenas, mesmo que acostumadas a realizar tarefas e atividades em casa.

Mas claro, isso depende de cada contexto, de cada família. Sempre usei essa máxima na gestão das questões que surgiam no grupo Montessori Portugal. Mas, desta vez, quase a esqueci de usar para mim. 

Ainda bem que o Universo tem uma forma bonita e gentil de nos mandar mensagens 🙏🙏🙏






Entretanto, atualizei a Série Rosa, acrescentando MAIÚSCULAS DE IMPRENSA e invertendo as cores, para irem de acordo com os alfabetos que por aí se encontram.

Aqui está:



Assim, é mais útil para toda a gente ☺️☺️☺️

Até breve ❤️💗❤️💗

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Natal 🤶🌲☃️🌠🎁🎀🎄

Eu andava mesmo desmotivada, cheia de trabalho e pensando que eles não gostariam de algo assim. O meu filho dizia que queria brincar, construiu tendas de panos (que me lembraram tanto a minha infância 🥰🥰🥰), usou caixas de cartão para fazer casas para os bonecos, correu, saltou, lutou com almofadas, brincou com carros e figuras de super heróis... E eu já não acreditava que poderia desejar sair dessa infância de magia (nada Montessori, lol). 

Só que entretanto a educadora do meu filho ficou doente e ele passou esses dias em casa, e entretanto lembrei-me que tinha montes de material que fiz ano passado e, ao decorar a casa com o pinheiro e as luzes (que nos causam a todos tanto deslumbre), decidi montar novamente uma estante temática e ...

...bem, quem resiste ao Natal, na verdade???

Esta estante já esteve mais organizada, uma prateleira para a Linguagem, uma prateleira para os Números... Mas acabou por ficar assim por causa dos diferentes interesses deles.
Esta estante já esteve mais organizada por áreas: uma prateleira para a linguagem, outra para a matemática... Mas acabou assim, derivada dos seus interesses. No topo e 1a prateleira superior estão outros materiais que são não acessíveis principalmente por causa da pequena, mas que são retirados para atividades - tintas, colas, outros materiais de linguagem e matemáticas para substituir ou aumentar o grau de dificuldade...


Atividades de expressões são sempre favoritas.

Matemática

Linguagem (e os números para traçar)

Plasticina e formas natalícias, alguns jogos de sons com figuras natalícias (motivaram tanto - são da Safari), regador para cuidar das plantas (é uma das tarefas deles cá em casa) e ao fundo não se vê, mas estão polydrons no cesto azul - um material que tem sido fundamental na brincadeira não estruturada - ainda não conheci uma criança que não goste-ame este material.

Picotar, recortar, jogo táctil ao fundo e dentro do vaso do Pai Natal, guizos.

No baú estão parafusos, no cestinho peças de encaixe com os mesmos. As figuras natalícias são para enlaçar e à direita temos alguns materiais de limpeza ligado às tarefas deles de Vida Prática.

Este livro da estante é, a meu ver, muito interessante e a pequena, que está bem na fase dos sons, gosta imenso dele. Acha-lhe imensa piada! O livro tem as letras e uma gravação em cada uma que diz "A, trace le A". Certo, está em francês. Mas a grande maioria dos sons é semelhante aos nossos, então a mim não me preocupa muito. Antes pelo contrário. Tem motivado imenso o mais velho a procurar as letras (algo que sempre tentei ter presente no nosso Ambiente Preparado mas raramente lhe chamaram a atenção. Por falar nisso, tenho uma história a contar quanto a isso. Mas hei-de fazer um post para tal.




É lindo o sorriso de alegria no rosto deles por terem feito algo seu! Eu ajudei no cone, mas o resto foram tudo eles 💗



Sons e letras.


Não estão sempre nas estantes porque as nossas gatas adoooorammm deitar tudo abaixo 🙄🙄🙄 Mas são atividades que providencio com alguma regularidade na vida do Dia-a-dia e que eles adoram e concentram-de imenso.


Um espaço que fica mesmo à entrada da nossa casa e em que procuramos colocar sempre objetos naturais que trazemos das nossas descobertas na Natureza para observação.

Ficam mais alguns momentos e atividades:















Estes feriados ajudaram bastante a permitir isto. Diria que foram fundamentais. As famílias precisam de tempo para si. Somos gratos por estes dias.

Até breve 💗💗💗

domingo, 6 de dezembro de 2020

Os meus imprimíveis favoritos 🥰🥰🖨️⌨️💻🖱️🖨️🥰🥰

Se eu tivesse de, neste momento, determinar quais os sites que mais me ajudam na preparação de materiais de apoio às minhas aulas e apresentações Montessori, estes seriam eles:

1. Creciendo con Montessori: 

Este é dos meus blogs favoritos quanto a materiais imprimíveis e ideias DIY relacionadas com os mesmos. Penso que pertence tb à loja Mumuchu, uma loja que vende, entre diversos materiais educativos Montessori Friendly, também materiais Montessori. 




2. Mi Montessori:

A Raquel faz materiais muito simples, giros e com temas variadíssimos. É também professora do ensino público. Gosto muito. 




3. 1 de + 

Outro blog que aprecio bastante! Mais uma professora do ensino público que usa materiais Montessori na sua prática pedagógica e os dispensa gratuitamente no blog! 



4. Montessori mais pas que

Uma mãe de Ensino Doméstico espetacular! Também partilha imenso material, além do trabalho dos seus 3 filhos!


Sou muito grata a estas mães pelas suas partilhas, pois com elas consigo ter algum material rico em experimentação para usar na escola! 

"Mas, estão todos noutras línguas, como é que fazes?"
Pois, essa é a parte que dá algum trabalho. Na verdade, na matemática, alguns não necessitam de nada pois têm apenas números.
Nos de linguagem e ciências, tenho usado os programas de "pdf to word online" (é literalmente o que escrevo no Google), e após conversão, traduzo no Tradutor do Google e pronto.

Bem, com estes 4 aqui, mais um ou outro que encontro nas suas sugestões, construo a maioria do meu material para o 1o ciclo. Há neles pano para mangas, tanto que nem eu ainda consegui usar tudo (e estou longe disso!!!)

Para os meus pequenos e 1o ano de escolaridade, tenho usado muitos materiais do HOKA, que resultam dum produto da junção de materiais realizados pela Seemi do Trilium Montessori, da Katherine do I believe in Montessori e da Yuliya do Welcome to Mommyhood, que já mostrei aqui no blog. São muitos e variados, dão pano para mangas. Mas estes não são gratuitos como os acima indicados. Se quiserem saber mais, procurem no blog da Yuliya!



E vocês, quais são os vossos favoritos? 

Em Português, temos tido o aparecimento de alguns projetos que têm produzido materiais que considero interessantes.

Em breve faço novo post sobre os mesmos! 💗

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

"Eu não quero aprender mais, eu só quero brincar!"

 "Mãe, eu não quero aprender mais, eu só quero brincar!"

E é por isso que eu não tenho atualizado o nosso perfil com o ambiente em casa. 

Além disso, a força anímica este ano tem sido... Blagh! Lol! Quem anda assim por aí também? 

Planeei tanto aproveitar esta situação de Pandemia como uma oportunidade para ir mais além com os meus filhotes em casa, e no fim... Bem, tem sido sofá, brincadeira desestruturada, brincadeira lá fora e na Natureza e pronto. 

O que fariam vocês se as vossas crianças dissessem o mesmo? 

Mas, na verdade, ele não está desinteressado de aprender. Isso seria, provavelmente, impossível numa criança. Ele simplesmente quer ir mais além do que as típicas aprendizagens estruturadas que lhe vinha a oferecer. Além de querer espaço, muito provavelmente para descobrir mais um pouco dele mesmo. 

Os interesses dele são agora fora dos materiais Montessori que lhe vinha a oferecer. Legos. Livros (anda numa forte fase de interesse por história orais, livros e recontos desses livros à irmã - amoroso de se ver!). Bonecos e peluches, que gosta de cuidar em brincadeira com a irmã e de atirar a alvos escolhidos por ele (temos levado-os a lagos para atirar pedras, usado bolas para atirar, mas não há maneira de lhe passar a fase de atirar). Jogos de montagens com parafusos e peças de encaixe, jogos de encaixe cada vez mais pequenos, construções, construções, construções. Portanto, nada estruturado, mas muito trabalho na mesma. Ah, e está fã de fazer jogos de livros de atividades. 

Na verdade, desmotivei de lhe criar estantes novas. Está mais que claro que ele não está interessado em trabalho estruturado em casa. 

E a pequenina? 

Bem, as estantes têm sido basicamente para ela, mas nada muito estruturado também. Alguns puzzles que vou rodando, Legos (ela tb adora), bonecos e peluches, livros, instrumentos musicais...

E, na verdade, ainda bem! Por vezes chego tão cansada da escola que não tenho vontade de fazer nada. Serei só eu que ando assim???

Bem, a coisa não tem sido totalmente improdutiva (da minha parte), na escola temos avançado bem com Montessori e tem sido extremamente gratificante.

Mas como um guerreiro que se tem esforçado bastante nos últimos anos, estou a aproveitar e a dar a mim mesma algum merecido descanso. Já nem me lembrava de ler um bom livro sem ser de trabalho há ano, e agora cruzei-me com o Yuval Noah Harari e o seu Sapiens, que, aliás, super recomendo! Tanto que nem sei. Leiam! 

E, viva a laziness, tenho descomprimido com um bocadinho de Emily in Paris, que me traz tantas memórias de tempos em que visitei a cidade das luzes e do amor :) A coisa boa é que reavivei algum gosto por moda e estou novamente a dedicar mais tempo para cuidar de mim! Que bom! Finalmente! 

Ah, mas no meio de tudo isto, entretanto fiz mais uma formação Montessori, neste caso de Matemática para o 2o.plano, e ainda bem que a fiz! Neste caso, penso que usarei grande parte das aprendizagens com os meus alunos com Necessidades Educativas Especiais, que têm revelado ganhar imenso com Montessori. Preciso é de apostar em alguns materiais para o 2o Plano. Deixa ver se o Pai Natal dá uma ajudinha neste Natal :)

Bom descanso para quem por aí precisa tanto dele <3


quarta-feira, 18 de novembro de 2020

A 2.ª Grande História - A História da Vida 🐚🦪🦑🦂🦎🦖🦕🕊️🐀🦘🐘🦈🐋🐵👥👨‍👩‍👧‍👦👨‍👨‍👧‍👦👩‍👩‍👧‍👦

Foi no Dia de Halloween! Podia ter sido noutro qualquer, mas de alguma forma criou-se o momento e as coisas fluíram nesse sentido.

A Linha da Vida que traduzi daqui e que coloquei à disposição no grupo Montessori no 1o Ciclo Portugal foi imprimida na minha impressora em modo 6x6, e ficou enoooormeee e absolutamente fantástica e motivadora!

Depois, foi só aproveitar um dia que já pedia ser no exterior e contar-lhes esta história!
E que momento!!!

Foi incrível! 
Eles, claro, mal respiravam porque queriam saber tudo! 
A dada altura não aguentaram mais e começaram a perguntar. 

Como a linha vai sendo aberta aos poucos, eles diziam sempre que a próxima Era era a dos dinossauros!!! Hahahah!!! Foi muito divertido fazê-los perceber que foi preciso tanto, tanto, para os dinossauros e depois para o ser humano!

E quando chegamos ao fim...

"E chegou o ser humano, e ele veio ao mundo para..."

"Salvar o mundo!" - foi a resposta pronta dum aluno meu. Que delícia! (mesmo que a gente saiba que não é bem assim, esperemos que seja para a geração deles. Por aqui fazemos todos a nossa parte.)
"Sabem há quantos anos viveu esse animal (amonite) que têm na mão? Há cerca de 300 milhões de anos!!!!!" - "Uaaaaaaaaauuuuuuu!!!!"
Uau mesmo! Quem não sente este deslumbramento? E enquanto trabalhamos em matemática a leitura de grandes números, faz ou não sentido contar histórias em que se situe e justifique o uso desses números????

As miniaturas "roubadas" provisoriamente ao meu filhote fizeram sucesso, nomeadamente este  Dunkleosteus, um exemplo de peixe com placas do Devónico cuja boca abre e "morde" com os seus dentes. Todos eles quiseram sentir essa mordida, e depois também a do T-Rex, lol! São ambos da marca Schleich, basta procurar pelo nome da internet, mas recomendo a loja Flying Teapot, costuma ter boas promoções desta marca e de outras do género (Papo, Safari...)
Outras miniaturas levaram-nos a fazer uma revisão deste processo de evolução.


E claro que foi um delírio quando chegamos à fase dos dinossauros. E a surpresa que foi perceberem que o T-Rex não existiu ao mesmo tempo que todos os outros dinossauros!!!

E estes estranhos mamíferos, que ou se extinguiram ou evoluíram para se tornarem os actuais elefantes, tatus, preguiças...

A Linha da Vira foi pendurada numa das paredes da sala (a única que dava para algo tão comprido) para permitir o acesso à mesma pelos alunos em tempos de Pandemia. Daqui saíram projetos de investigação sobre dinossauros (claro!), mas tal não invalidou que alguns alunos tenham preferido apenas ler nos livros e enciclopédias informações sobre os mesmos. 


 
Ao trabalharmos a classificação de palavras quanto ao número de sílabas e acentuação um deles sugeriu que usássemos palavras da Linha da Vida (ricas em números elevados de sílabas, acentos agudos e palavras esdrúxulas!). Entretanto, também analisamos algumas das suas frases com a nossa Gramática Montessori.

Também lhes li a biografia de Charles Darwin, esta esta aqui, para ajudar a interiorizar o conceito de evolução das espécies, e ao mesmo tempo uma linha de vida, neste caso, da vida de Darwin. 

Duas semanas depois, começaram a referir que já não se lembravam bem de algumas partes da história. Então, sugeri lermos em grande grupo estes cartões (vejam o L'èon Phanerozoique) que também traduzi e coloquei à disposição no grupo Montessori no 1o Ciclo Portugal. E foi óptimo voltarmos a rever, porque eles, desta vez, prestaram atenção a outros pormenores e momentos que claramente, com a ansiedade dos dinossauros, não prestaram da 1a vez!!! :) :) :) Crianças a serem crianças :) <3

Relembramos os diferentes grupos de animais (moluscos, bivalves e univalves, corais e a história do ciclo da cal, primeiras plantas na terra, peixes, anfíbios e insetos, répteis, aves, mamíferos, vertebrados e invertebrados...) Tão bom perceber que o trabalho dos anos anteriores ficou tão bem consolidado neles, sem qualquer dúvida ou questão! Que bom!!! :) Montessori funciona mesmo!!! E é tão bom e bonito aprender assim! :) 

Bem, e com isto tudo, estamos a chegar à 3a Grande História, a história do homem. E escusado dizer, eles estão ansiosos!!! :) :) :)